NEGO MIRANDA

fotografia

Onde a Realidade Sonha

Símbolo é sempre algo que representa outra coisa para alguém. Uns são universais outros segredo. A imagem e a palavra só podem ser consideradas símbolo quando evocam algo mais que seu simples significado. Trazem um aspecto inconsciente que não pode ser definido ou explicado. Assim são os símbolos, “permanecem um desafio perpétuo para nossos pensamentos e sentimentos. Isso provavelmente explica a razão por que um trabalho simbólico é tão estimulante, por que nos domina tão intensamente, mas também por que nos propicia um prazer puramente estético” (Jung). Sendo retratos indistintos e enigmáticos da realidade psíquica, seu conteúdo está longe de ser óbvio.

Nada mais fotográfico que o mito da Caverna de Platão onde prisioneiros que desde o nascimento foram acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhassem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. As sombras projetadas na parede, eram a únicas imagens que aqueles prisioneiros conseguiam enxergar, a única realidade que conheciam. Um destes prisioneiros saiu das amarras e vasculhou o interior da caverna. Ele viu que o que permitia a visão era a fogueira. Percebeu que passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo e afastado de outras realidades. Mas imaginemos ainda que esse mesmo prisioneiro foi para fora da caverna. Ao sair a luz do sol ofuscou sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se com a nova realidade, pode voltar a enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna.

Hoje continuamos amarrados e de costas para a entrada, vendo sombras projetadas e acreditando serem elas a verdade única.  Somos seres virtuais vivendo como sombras pensando que vivemos a grande realidade. Na porta da caverna o que parece ser o fim é um novo mundo. Precisamos sair para descobrir novas realidades, dar vida à imagem para que a própria imagem se auto- explique.

Indo além de nosso espaço cotidiano, é como acreditássemos, desde que nascemos, que o mundo é de determinado modo, e então vem alguém e diz que quase tudo isto é falso, é parcial, e tenta nos mostrar novos conceitos, totalmente diferentes. As imagens, os símbolos e os mitos não são criações aleatórias; elas respondem a uma necessidade e preenchem uma função: revelar os mais secretos aspectos do ser.

Neste trabalho justapomos natureza e símbolos procurando defrontar o “desafio perpétuo” que fala Jung, usando uma câmera escura parecida com a Caverna de Platão, na tentativa  de atingirmos lampejos de novas fogueiras.

 A natureza tem uma linguagem e fala de uma maneira que nossos sentidos podem captar, ouvir e ver até penetrar no que fica além de todos os horizontes e é nessa sintonia que deciframos os símbolos.

Nego Miranda